Anuário ABAC 2026
O setor resolveu correr
Se você achou que o consórcio andava devagar, o anuário da ABAC – Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios – contradiz essa teoria: 2025 foi ano de crescimento forte, com o Sistema batendo recordes em adesões, volume financeiro e base de participantes. No acumulado do ano, foram 5,16 milhões de cotas vendidas, alta de 15% sobre 2024, enquanto os créditos comercializados somaram R$ 500,27 bilhões, avanço de 32,1%.
O mais curioso é que esse crescimento não veio por acidente nem por milagre de planilha. A própria ABAC relaciona o desempenho à combinação entre planejamento, disciplina financeira e um consumidor mais disposto a trocar o “quero para ontem” por uma estratégia de longo prazo — algo quase revolucionário, convenhamos.
O retrato geral do anuário
O anuário também mostra que o setor terminou 2025 com 12,76 milhões de participantes ativos, acima dos 11,13 milhões de 2024, e com R$ 123,16 bilhões em créditos disponibilizados, alta de 22,4%.
Na prática, isso quer dizer mais gente comprando cota, mais gente sendo contemplada e mais dinheiro circulando dentro do sistema.
A leitura da ABAC é clara: o consórcio ganhou tração justamente porque o ambiente econômico nacional estava cheio de ruído e porque continua vendendo uma ideia simples e difícil de ignorar — comprar com planejamento em vez de se endividar no impulso.
Outro dado importante é o índice de confiança do setor, o ICSC, que permaneceu ao longo de 2025 em faixa positiva, acima de 50 pontos, fechando o ano em torno de 62,3 pontos. Isso ajuda a explicar por que as administradoras seguiram otimistas, mesmo com oscilações econômicas no caminho.
Resumindo sem frescura: o sistema cresceu porque o brasileiro entendeu que prazo, previsibilidade e parcela combinada têm mais utilidade do que enfrentar juros para uma aquisição imediata.
O cofre do sistema
Entre os segmentos, cinco fecharam 2025 com alta nas adesões: eletroeletrônicos e outros bens duráveis subiram 51%; imóveis avançaram 36,0%; serviços cresceram 16,9%; veículos leves subiram 9,4% e motocicletas avançaram 8,3%. Só veículos pesados recuaram, com queda de 15% nas vendas de cotas.
Mas o destaque do anuário não foi só volume: foi também a concentração do dinheiro em algumas linhas. O recorte mostra que o sistema segue sendo puxado por segmentos de maior tíquete médio, especialmente imóveis e pesados, que movimentam valores muito acima da média geral.
Ou seja, o consórcio deixou de ser aquele coadjuvante simpático para virar protagonista de decisão patrimonial.
Imóveis na liderança
Quando o assunto é consórcio imobiliário, a história fica ainda mais interessante. Em 2025, o segmento registrou R$ 283,53 bilhões em créditos comercializados, alta de 48,4% sobre 2024, e manteve a liderança entre todos os segmentos do sistema pelo quinto ano consecutivo.
Na prática, isso significa que o consórcio de imóveis respondeu por 53,4% de todos os créditos contratados via consórcio no ano.
As adesões também explodiram: foram 1,35 milhão de cotas vendidas, crescimento de 36,0%, o maior resultado da série histórica.
Em português claro: o brasileiro não está só sonhando com imóvel; está entrando no grupo, pagando a parcela e deixando o sonho parar de ser só conversa de domingo.
Base crescendo forte
A base de consorciados do segmento imobiliário chegou a 2,83 milhões de participantes ativos em dezembro de 2025, alta de 32,9% em relação a 2024.
Isso coloca o consórcio de imóveis como o terceiro maior segmento em número de participantes dentro do sistema.
E não é um detalhe pequeno: base maior significa mais liquidez, mais capilaridade e mais força para sustentar o crescimento adiante.
As contemplações também acompanharam o ritmo, somando 145,37 mil no ano, alta de 26,0%, enquanto os créditos disponibilizados chegaram a R$ 30,24 bilhões, crescimento de 38,5%.
Ou seja, não foi só venda de promessa: teve crédito liberado de verdade, e em volume pesado.
FGTS e uso do crédito
O anuário destaca ainda que o uso do FGTS no consórcio imobiliário ganhou força em 2025, com R$ 357,27 milhões movimentados.
Entre as finalidades mais comuns, a compra de imóvel pronto respondeu por mais da metade das operações com FGTS, mostrando que o recurso continua sendo um empurrão relevante para quem quer sair do aluguel sem fazer acrobacia financeira.
O perfil do uso do crédito também reforça a lógica patrimonial do segmento: a maior parte foi direcionada para imóveis residenciais urbanos, seguido por investimento em terreno, construção/reforma e outros usos ligados à moradia e patrimônio.
Traduzindo: consórcio imobiliário segue sendo ferramenta de aquisição, organização financeira e, para muita gente, de “vamos resolver isso direito”.
O que esse dado diz
O anuário de 2026 da ABAC mostra um consórcio mais maduro, mais robusto e menos dependente de modas financeiras. No geral, o sistema cresceu em adesões, volume comercializado, base ativa e créditos disponibilizados, e o consórcio imobiliário foi o grande motor desse movimento.
Para quem olha o mercado com visão de patrimônio, a mensagem é direta: o consórcio de imóveis deixou de ser alternativa lateral e virou um dos principais caminhos de compra planejada no Brasil.
E, pelo jeito, o brasileiro está cada vez menos disposto a pagar juros como quem compra passagem de última hora.